A Lava Jato, o financiamento da política e a crise da democracia constitucional

Autores/as

  • Arthur Guerra Filho

DOI:

https://doi.org/10.9732/2024.V129.1248

Resumen

Ao analisar a jurisprudência e literatura acadêmica, o artigo argumenta que cortes supremas e constitucionais de diversos países têm destacado três tipos de corrupção no financiamento da política: a corrupção quid pro quo, a corrupção por dependência e a corrupção da competição eleitoral. E mostra que a tipologia pode ajudar a lidar com um desafio das democracias constitucionais: entender a partir de qual ponto doações políticas declaradas (i.e. um direito previsto em lei) e presentes dados a políticos (i.e. em certos contextos, algo tolerado por lei) passam a ser considerados propinas e, portanto, crime de corrupção. O artigo explica como parte importante da opinião pública incentiva a ampliação do conceito de crime de corrupção e a flexibilização de sua prova, passando a abranger relações com aparência de reciprocidade que antes ficavam aquém do conceito e de seu parâmetro probatório. A pobre utilização da tipologia pelo STF no julgamento da ADI nº 4650 teve reflexos na adoção de um amplo conceito de crime corrupção em casos da Operação Lava Jato. Pela conexão com direitos políticos, o referido enfoque pode contribuir para estimular a confiança dos cidadãos na legitimidade de instituições pilares da democracia constitucional brasileira.

Publicado

2024-12-31

Número

Sección

Artigos

Cómo citar

A Lava Jato, o financiamento da política e a crise da democracia constitucional. (2024). Revista Brasileña de Estudios Políticos, 129. https://doi.org/10.9732/2024.V129.1248