A deferência do STF à administração pública no Brasil constitui um problema?

Causas e sintomas da insatisfação ao comportamento deferente

Autores

  • Fabiano Teodoro Lara Universidade Federal de Minas Gerais image/svg+xml
  • Daniel dos Santos Rodrigues Universidade Federal de Minas Gerais image/svg+xml

DOI:

https://doi.org/10.9732/2024.V128.1107

Palavras-chave:

1. Deferência judicial; 2. Judicialização da política; 3. Precedentes vinculantes; 4. Common law; 5. Civil law., 1. Judicial deference; 2. Judicialization of politics; 3. Binding precedents; 4. Common law; 5. Civil law.

Resumo

Tendo como campo de estudo o Direito e Desenvolvimento e utilizando-se do método jurídico-exploratório, investiga-se nesse artigo dois problemas: 1) se a deferência do STF ao Executivo é prejudicial à proteção dos direitos fundamentais. 2) Por que a literatura jurídica brasileira critica essa deferência. Para o primeiro problema, os resultados revelam que essa deferência não é intrinsecamente problemática, pois reflete, especialmente, a busca por legitimidade política e estabilidade democrática por parte das cortes superiores. Em relação ao segundo problema, atribui-se a insatisfação com a deferência à falta de compreensão da relação entre Direito e política no contexto brasileiro, que surge na transição não mediada para a República em 1889, derivada da tensão entre o poder central e as oligarquias regionais ao término do período imperial. Conclui-se que o desconforto da doutrina brasileira em relação à deferência do STF ao Executivo remonta, particularmente, à implantação do regime republicano no Brasil, ao final do século XIX, quando, sem uma tradição da doutrina do stare decisis e sem uma compreensão mais profunda do common law, abandonou-se o paradigma de jurisdição administrativa (Conselho de Estado) que equilibrava as relações entre as esferas jurídica e política.

Biografia do Autor

  • Fabiano Teodoro Lara, Universidade Federal de Minas Gerais

    Fabiano Teodoro de Rezende Lara é Bacharel (1996), Mestre (2001) e Doutor (2008) em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais e Bacharel em Comunicação Social pela PUC-MG (1996). Professor Associado de Direito Econômico da Faculdade de Direito da UFMG (Graduação, Mestrado e Doutorado).

  • Daniel dos Santos Rodrigues, Universidade Federal de Minas Gerais

    Promotor de Justiça no Ministério Público do Estado de Minas Gerais. Mestre em Direitos Humanos pela Universidade Federal de Goiás. Doutorando em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais na linha de pesquisa "Poder, Cidadania e Desenvolvimento no Estado Democrático de Direito", área de estudo "Administração Pública e Desenvolvimento Estratégico". Foi International Visiting Graduate Student na Faculdade de Direito da Universidade de Toronto, Canadá. Foi membro auxiliar do Conselho Nacional do Ministério Público - CNMP (2017-2020).

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Publicado

2024-07-15

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Seção

Artigos

Como Citar

A deferência do STF à administração pública no Brasil constitui um problema? Causas e sintomas da insatisfação ao comportamento deferente. (2024). Revista Brasileira de Estudos Políticos, 128. https://doi.org/10.9732/2024.V128.1107